Por quase um século, o café motivou o surgimento de cidades e a construção de ferrovias no interior de São Paulo para facilitar o transporte da produção. Isso também impulsionou o comércio internacional. Não é à toa que o Brasil é hoje o maior produtor e exportador do grão. Esse status foi forjado em ferro em meados de 1860, quando o Estado de São Paulo ganhou o projeto audacioso de construir uma ferrovia para levar o café da Alta Mogiana ao Porto de Santos. O trecho de 800 metros de altitude e oito quilômetros de extensão da Serra do Mar era considerado impraticável. Mas, com a ajuda do engenheiro ferroviário britânico James Brunlees, especialista no assunto, o projeto se concretizou. Idealizada pelo empresário gaúcho Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, a estrada de ferro, que ficou conhecida como São Paulo Railway, foi a primeira a ligar o município de Jundiaí ao de Santos. A ferrovia entrou em operação em 16 de fevereiro de 1867. Com 246 quilômetros, o marco zero ficou em Santos, mais precisamente no bairro de Valongo, no centro da cidade.

Outra ferrovia importante na história da expansão da cafeicultura rumo ao interior de São Paulo foi a Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, criada em 1872, em Campinas. Inicialmente, a linha ia de Campinas a Jaguari (atual Jaguariúna), com 34 quilômetros. A ferrovia foi prolongada até Mogi-Mirim e ganhou um ramal de 34 quilômetros até Amparo. Em 1878, chegou à Casa Branca, a 172 quilômetros de Campinas, e prosseguiu desbravando terras até chegar a Franca.

Como o volume de café rumo ao Porto de Santos era grande, em 1895 a São Paulo Railway também ganhou uma nova linha, paralela à antiga, que ficou conhecida como Serra Nova. O sistema usado era o funicular. O trem descia a serra amarrado em cabos de aço. Enquanto uma composição descia, outra com peso equivalente subia e fazia o contrapeso. No deslocamento de um plano para outro, uma máquina chamada locobreque acompanhava os vagões e prendia o cabo impulsor até a seção seguinte, em que se realizava a mudança de cabo, e assim sucessivamente, até o pé da serra.

Para incentivar ainda mais a produção de café, a administração do Estado de São Paulo fez da imigração o projeto central de suas atividades. Determinou um sistema de auxílio a imigrantes da Europa, especialmente de italianos. Com a mão de obra imigrante, quase toda a geração de riqueza do País se concentrou na agricultura cafeeira. O Brasil dominava 70% da produção mundial e ditava as regras do mercado. Entre 1891 e 1900, o País exportou 74,5 milhões de sacas de café. Na década seguinte, foram 130,6 milhões de sacas. A qualidade do café brasileiro ficou conhecida globalmente como Tipo Santos. Até hoje, o grão da Mogiana é considerado um dos melhores do mundo.

Dinheiro Rural: maio de 2012

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